6 de junho de 2018

O caso das máscaras de chumbo- parte 2

Este “prólogo” pertence ao livro Confrontos de Jacques Vallée e justamente dá um resumo do Caso das Máscaras de Chumbo acontecido em 1966 e que até hoje continua não-esclarecido. Como vimos na primeira parte, O pesquisador frances Jacques Vallée veio ao Brasil para pesquisar sobre o Caso das máscaras de chumbo. Aqui, nos encontramos uma parte do seu relato:

                                                                                                   Jaques Vallée

“Num lindo dia ensolarado, no final de abril de 1980, eu ( J.Vallée ) subi um morro ingreme do outro lado da baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, para localizar o ponto onde aconteceu o episódio de OVNI mais dramático do Brasil. Trata-se de um caso no qual dois homens foram encontrados mortos em circunstancias que a policia nunca teve condições de explicar . Acreditava-se que morreram enquanto esperavam um sinal do céu, possivelmente a comunicação com um OVNI.

Se tal evento pudesse ser confirmado, chegaríamos mais perto de uma prova da existencia dos OVNIs. Ao mesmo tempo, contudo muitas de nossas idéias sobre o fenomeno precisariam ser drasticamente revistas. Não teríamos mais os visitantes gentis, os exploradores cientificos, os alienigenas malignos que enchem as páginas dos livros sobre OVNIs. Nào se poderia mais falar, tampouco, em presenças brilhantes e visões angelicais da “Nova Era” . No mínimo deveríamos ampliar a abrangencia de nossas hipóteses. Um quadro mais complexo e perigoso emergiria.

Infelizmente, tudo o que eu sabia sobre o caso chegara a mim em segunda mão, através da central de boatos sobre OVNIs ou da imprensa, uma fonte notoriamente desacreditada na América Latina!. A unica maneira de aprender mais sobre as circunstancias exatas do evento seria voar para o RIo e subir aquele morro.

Comigo estavam minha mulher Janine e um pequeno grupo de interessados: Saulo Soares de Souza, um investigador da policia do Rio, que se especializara no acompanhamento de casos há muito arquivados ou sem solução; Mário Dias, jornalista; Alberto Dirma, fotografo da imprensa; um professor de frances local, que fez a gentileza de servir como interprete ; e o primeiro adulto a ver os corpos, certo dia, em agosto de 1966, quando um grupo de meninos veio correndo até sua casa para chama-lo. Ele os acompanhara até a delegacia de policia no sopé do morro, onde os garotos descreveram sua horrivel descoberta ao delegado de plantão, Oscar Nunes.

O morro , localizado em Niterói, municipio vizinho ao Rio, é chamado Morro do Vintém. ë recoberto por arvores baixas e moitas de folhas compridas, em forma de lâmina. Conforme subíamos , por entre as pedras, a sinuosa trilha de morros, a paisagem mudava — sumiam as casas, bangalôs e carros das ruas de Niterói, e aparecia uma série de barracos desordenados, apinhados de crianças curiosas, uma cena comum em qualquer parte do Brasil. Em um ponto um pouco mais alto, entretanto , o morro era desabitado , com trechos queimados de terra vermelha e áreas cobertas de vegetação rasteira, ponto de encontro de contrabandistas e amantes, onde meninos caçavam passáros, e negócios escusos se realizavam.

A policia, fomos informados , era cautelosa naquela área. Convém salientar que na noite da descoberta dos corpos o delegado Nunes decidira adiar a procura até o nascer do sol. Se avista era desconcertante e confusa a meia altura, o cenário no topo era inteiramente diferente. Avistava-se quilometros de terra e oceano, formando uma das paisagens mais famosas da Terra: Niterói, Rio, Pão de Açucar e toda a baia da Guanabara. Frequentemente encoberto por nuvens baixas e chuva, ou obscurecido pela poluição industrial que paira cada vez mais sobre a cidade, o Morro do Vintém estava totalmente à vista no dia em que o escalamos. Rodeado por pequenas arvores, responsáveis por uma sombra protetora, o local parecia mais adequado para cartão-postal do que para cena de assassinato.

Finalmente paramos num lugar onde o solo era quase limpo, com trechos de terra arenosa entre a grama curta. Uma fileira de arbustos com folhas largas nos protegia da luz direta do sol. O investigador Soares falou, e o interprete traduziu:

— Foi aqui que os encontramos.

— Não entendo como eles esperavam ver o céu daqui, ou como poderia alguém sugerir que esperavam algum tipo de sinal —
falei.

Minha questão provocou uma conversa rápida entre o investigador Soares e o mulato baixo que, havia quatorze anos, levara a polícia até os corpos.

— Ele diz que o mato era bem mais baixo naquela época — explicou o intérprete — Dava para ver o céu.

— Pergunte-lhe como tudo aconteceu.

O primeiro garoto a ver os cadaveres tinha dezoito anos na época, e procurava sua pipa. Encontrou os corpos vestidos com ternos limpos e capas de chuva novas, deitados de costas. Nada foi feito naquela noite em 1966. A policia local considerou mais prudente deixar qualquer providencia para o dia seguinte. Ao amanhecer os policiais e bomeiros destacados para o caso escalaram a trilha íngreme, chegaram ao lugar e descobriram que o menino não havia mentido. Iniciava-se uma das mais estranhas investigações registradas nos arquivos policiais brasileiros. Ela passaria por três fases distintas.

A primeira fase se limitou ao trabalho investigativo rotineiro feito pela policia. Os investigadores não encontraram sangue nem sinais de violencia na área. Os dois cadaveres estavam deitados placidamente, lado a lado. Junto a eles havia mascaras rudimentares de chumbo e blocos de papel com anotaçoes. Numa das anotações havia fórmulas elétricas elementares. Também foi encontrado um pedaço de papel de alumínio azul e branco amassado, um pouco de papel celofane embebido numa substancia quimica e um lenço com as iniciais AMS.

A pele dos cadaveres tinha uma coloração rósea e aparentava possiveis queimaduras, mas a decomposição chegara a um ponto onde tal conclusão não era segura. De fato, o legista Astor de Melo concluiu rapidamente que as mortes ocorreram por causas naturais ( ataque cardiaco) encerrando o caso. O exame das visceras não indicou sinais de veneno. Os homens morreram entre terça-feira, 16 de agosto , e sábado, 20 de agosto.

A identidade das vitimas foi rapidamente estabelecida. Eram técnicos em eletronica, Miguel José Viana, 34 anos, casado , pai de vários filhos menores, e Manuel Pereira da Cruz, 32 anos , também casado. Ambos moravam no município de Campos, onde eram cidadões bem conhecidos e respeitados. Os dois se especializaram na instalação de transmissores e repetidores locais de sinal para televisão. Miguel possuia Cr$ 157 mil num saco plástico oculto dentro da roupa. Manuel possuia apenas Cr$ 4 mil.

A policia teve condições de reconstituir os movimentos dos homens entre a manhã de quarta- feria, 17 de agosto, e a hora em que assumiram suas posições no alto do morro. Os dois pegaram o onibus que saís de Campos às 9 horas da manhã, seguindo para Niterói. Deixaram um recado , avisando que pretendiam ir a São Paulo, comprar um carro e equipamento eletronico. Pelo que se sabia, estavam levando Cr$ 3 milhões ( cerca de US$ 1.000 ).

O Onibus chegou a Niterói às 2 horas da tarde. Chovia Compraram capas de chuva identicas por Cr$ 9,4 mil. Num bar, na Rua Marques de Paranaguá, compraram uma garrafa de água mineral e guardaram o recibo do depósito pago. Por volta das 15h15 eles partiram a pé até a trilha no Morro do Vintém, onde foram vistos por volta das 5 horas da tarde. Foi a ultima vez que alguém os viu com vida.

Insatisfeito com o laudo da causa da morte , o encarregado da segurança no Estado do Rio, coronel Eduardo de Cento Pfeil , convocou uma reunião com o delegado de policia José Venâncio Bettencourt e um técnico em eletronica. No dia seguinte contatou Toledo Pizza, diretor do Instituto Médico Legal. O dr. Alberto Farah foi convocado oara realizar uma segunda autópsia. As viceras foram retiradas e analisadas, O patologista também procurou por possiveis marcas de seringa nos corpos, mas a segunda autópsia não revelou nenhuma novidade.

Baseada nestes fatos, a policia examinou várias hipoteses. Um roubo poderia ter sido motivo para o crime? Uma grande quantidade de dinheiro parecia ter desaparecido entre a hora em que Miguel e Manuel saíram de Campos, com aproximadamente Cr$ 3 milhões , e o momento em que foram encontrados mortos. Mas esta hipótese não explicava a forma da morte e a ausencia de luta. Seriam espiões? O Morro do Vintém é um ponto estratégico de onde poderiam observar toda a região. Em um raciocinio mais plausível , serviria também de local idela para uma repetidora de sinais de televisão , o tipo de instalação eletronica na qual os dois homens se especializaram. A ausencia de qualquer violência, contudo parecia excluir espionagem e outras atividades ilegais.

Seriam contrabandistas? As leis de importação dificultavam o acesso a produtos eletronicos estrangeirosno Brasil. Mas era dificil compatibilizar estes cenários com a forma da morte. Se fossem encontrados com facas enfiadas na barriga, numa área isolada de Niterói, cidade conhecida por abrigar muitas atividades clandestinas, o caso teria atraído pouca atenção. Por que um assassino deixaria tantas pistas misteriosas: as anotações , as máscaras, o lenco?

— Voce examinou outras hipótese? — perguntei ao ivestigador Soares.

— Pensamos que poderia ser um pacto de suicidio entre homossexuais — falou — O lugar é conhecido como ponto de
encontro de gays da vizinhança. Mas não há evidencia disto, nem na maneira como viviam nem na forma como morreram. Toda
linha de investigação terminava no mesmo beco sem saida: nenhum sinal de violencia, nenhum veneno no aparelho digestivo,
nenhuma pista da causa da morte.

Quando estes detalhes se tornoaram publicos no Brasil, a policia foi inundada por telefonemas de moradores da região de Niterói, e o caso entrou em sua segunda fase.

Um dos primeiros chamados foi de uma senhora da sociedade, Gracinda Barbosa Coutinho de Souza. Ela disse ao delegado Bettencourt que enquanto dirigia pela Alameda São Boaventura, no bairro do Fonseca , com três de seus filhos , na quarta-feira à noite , a filha Denise , então com sete anos , disse-lhe para olhar o céu sobre o Morro do Vintém. Ela viu um objeto oval de cor alaranjada, com uma linha de fogo nas bordas, “soltando raios em todas as direções”, enquanto pairava sobre o morro. Teve tempo de parar o carro e observa-lo cuidadosamente, enquanto o objeto subia e descia verticalmente durante uns três ou quatro minutos, emitindo um “raio azul” bem definido . Quando voltou para casa contou a visão ao marido , um membro da Bolsa de Valores do Rio. Ele seguiu de carro até o local , nada vendo de incomum.

Esta experiencia logo foi confirmada por um grande número de testemunhas diferentes, relatando a presença de um objeto oval alaranjado, soltando raios azuis sobre o Morro do Vintén , acrescentando que não revelaram nada na época por medo do ridículo ligado ao caso de OVNIs. Todos os depoimentos situaram o objeto nas proximidades das vítimas, por volta da hora estimada da morte. Assim, os investigadores foram forçados a voltar a atenção para alguns detalhes da cena que pareciam irrelevantes no ínicio.

Havia , por exemplo, a questão das máscaras de chumbo. Visavam proteger os olhos das vítimas de alguma espécie de radiação ? A policia encontrou máscaras similares na casa de Miguel José Viana, na oficina, juntamente com restos de chumbo que foi usado. Também foi encontrado um livro sobre “espiritismo científico”, com trechos sublinhados nas referencias a espíritos, intensa luminosidade e máscaras. A irmã de Miguel foi interrogada. Ela revelou que ele mencionara uma “missão secreta”.

A viúva de Manuel Pereira da Cruz também foi interrogada. Seu testemunho indicava que as duas vítimas eram membros de um grupo “espírita” , uma sociedade secreta com objetivos desconhecidos. Corria o boato de que se tentava a comunicação com outros planetas. Um piloto civil chamado ëlcio Correa da Silva também era membro do grupo.

Ëlcio revelou aos investigadores que de fato havia feito algumas “experiencias”juntamente com as vítimas, uma no jardim da casa de Manuel, em Campos, e outra na pria, em Atafona. Na última, Élcio e um outro homem, chamado Valdir , haviam testemunhado uma tremenda explosão. Isto ocorreu no dia 13 de junho de 1966, dois meses antes da tragédia em Niterói. Houve uma explosão, um objeto luminoso no céu, um flash cegante. Pescadores locais disseram ter visto um disco voador cair no mar. A explosão foi tão forte que chegou a ser ouvida em Campos. Mas a especulação foi descartada quando as familias das vítimas testemunharam no inquiérito: o equipamento usado em Atafona e Campos era constituido apenas por bombas caseiras , disseram, fabricadas com canos e arames.

A policia começou a investigar mais a fundo a vida anterior das vitimas: eles compareceram a cursos em São Paulo, organizados pela Philips Eletronica e outras empresas; compraram equipamentos sofisticados , apesar de não possuírem conhecimentos para realizar experimentos cientificos. Segundos os depoimentos, as vítimas mantinham uma estação de rádio ilegal no Glicério , municipio de Macaé. E, novamente, as testemunhas falaram de seus interesses no paranormal . Poucos dias antes de morrer, Miguel parece ter dito que iria comparecer a um “teste final”, e depois diria se era ou não um “crente”.

A viúva de Manuel declarou que testemunhara uma discussão entre ëlcio e seu marido. Pressionada para resolver logo o caso, a polícia achou conveniente prender ëlcio em 27 de agosto. Mas logo ficou provado que ele não saíra de Campos no dia da tragédia , e os policiais foram obrigados a libert-lo.

Outro elemento curioso no caso foi uma das anotações encontradas junto aos cadaveres. Lia-se:

Encontrem-se no ponto designado às quatro e mei da tarde. Às seis e meia ingerir as cápsulas. Após fazer efeito, protejam metade do rosto com as máscaras de chumbo. Esperem pelo sinal combinado.

Estariam os dois homens esperando ser contatados por um OVNI? Ou, , em uma explicação mais simples, estariam apenas participando de uma experiencia espirita que deu errado?

No va complicação surgiu. Um guarda-civil, chamado Raulino de Mattos, declarou que acreditava ter visto quando as vítimas saíram de um jipe no sopé do morro com duas outras pessoas que não forma identificadas com precisão. Mas o caso empacou de novo.

Em 23 de agosto, a policia ordenou a exumação dos corpos e nova bateria de testes. Uma atitude tão incomum foi mencionada em vários jornais internacionais, mas as novas análises não produziram nenhuma pista importante.

Dois anos se passaram antes que o caso fosse novamente mencionado: a imprensa brasileira anunciou que a policia procurava um homem loiro com aparencia de estrangeiro. Ele fora visto por uma testemunha, sentado ao volante de um jipe enquanto conversava com Miguel e Manuel perto do Morro do Vintém. Também foi revelado que peritos em radioquímica , do Instituto de Energia Atomica, em São Paulo, realizaram uma análise por ativação de neutrons nos cabelos das vítimas. Os quatro elementos medidos — arsenio, mercúrio, bário e tálio — tinham os niveis normais.

Com isso, o funcionário encarregado de homicidios, Romen José Vierira, encerrou as investigações e encaminhou o dossiê ao Ministério da Justiça. A segunda fase do caso da máscara de chumbo ( a fase de “analise em profundidade”) se encerrava. Ela fracassara, sem conseguir explicar os fatos, assim como a fase de investigação policial convencional.

A terceira fase, era de se esperar, caracterizou-se por especulações fantásticas, absurdos e avaliações extremadas nascidas das frustrações de todos com as inexplicáveis mortes de Miguel e Manuel. Um grupo de espíritas brasileiros dizia ter feito contato com jupeterianos através de canais psíquicos. De acordo com esta mensagens, a morte das vítimas foi um acidente ocorrio quando “eles correram na direção do disco que deveria pega-los, antes de receber ordens para fazer isso”. O canal também revelou que os jupiterianos eram fêmeas, mais altas trinta centimetros do que a média dos humanos, com bocas na vertical e quatro dedos nas mãos. Ninguém levou a sério as declarações , uma vez que não havia evidência de que os dois homens morreram enquanto corriam.

Já a confissão de um homem chamado Hamilton Bezani foi mais interessante. Ele estava preso por contrabando e roubo de carro. Descreveu em detalhes, para a policia , sua participação no assassino de Miguel e Manuel, alegando que havia sido contratado para mata-los. Ele e outros três bandidos roubaram o dinheiro das vitimas, levaram-nas ao topo do morro e as forçaram a ingerir veneno, com o uso de armas. A policia disse que estava prestes a fazer novas prisões no caso. Mas estas prisões nunca foram efetuadas, e o público foi deixado com o relato duvidoso de um prisioneiro que cumpria longa pena de prisão.

Nem a confissão de Bezani nem as revelações do canal com Júpiter haviam explicado os detalhes específicos do assassinato. Uma longa discussão que tivemos na casa do professor Mario Lago, médico chamado pelo tribunal como perito em parapsicologia, elucidou alguns aspectos espiritualistas. De acordo com o professor Lago, as vítimas estavam comprometidas em uma série de sessões, durante as quais uma entidade paranormal deveria se manifestar. Após o experimento em Campos, e outra vez, depois da explosão na praia de Atafona, Manuel encontrara pólvora no local. Ele talvez suspeitasse que outros, inclusive Élcio, tramaram uma mistificação para convence-lo da existencia da “entidade”. Eles desejavam, observou o investigador Saulo Soares, fazer ainda uma terceira tentativa para contatar a entidade em questão: deveria existir alguém , de nivel superior, que se mantinha nos bastidores, em quem confiavam — possivelmente a pessoa que deu as ordens escritas nas anotações.

Conforme repassávamos estes detalhes, na cena da tragédia, notei que nenhuma vegetação crescia no ponto os corpos foram encontrados. Perguntei se sabiam qual era o local preciso. A testemunha mostrou a estaca que permitia identificar o ponto exato.

Retornamos à suposição de Saulo: os dois homens tinham um “mentor intelectual” que manipulava a situação, hipótese amparada pelos termos usados nas anotações.

— A expressão “ingerir as cápsulas” não pertencia ao vocabulário das vítimas — concluiu o investigador. — Da mesma forma
que “surtir efeito” também era muito complicado para eles . A anotação está redigida com uma receita ditada por uma outra
pessoa.

— E o que acha da hipótese de roubo? — perguntei

— Como saber que estavam com dinheiro, para começar? Eles realmente não tencionavam comprar um carro nem componentes
eletronicos — disse o investigador encolhendo os ombros.

— Voce acha aquela história um despiste? — perguntei

— Falei com um primo de Miguel, que tentara desencoraja-lo da viagem, porque não daria lucro algum. Mas Miguel respondeu:
“Comprar um carro não é o motivo real desta viagem. Quando voltar, lhe direi se sou ou não crente em espiritismo”.

— Sobre o que era o livro encontrado em Campos?

— Era um livro genérico sobre espiritismo, escrito por Bezerra de Menezes.

Janine indagou sobre a oficina usada pela vítimas em Campos.

— Era uma sala pequena — respondeu o policial —, de três metros por quatro, onde Miguel consertava os televisores.
Encontramos prateleiras com material especializado, mas nada suspeito.

— E quanto às máscaras de chumbo? — ela perguntou.

— Foram feitas a marteladas , tiradas de uma placa de chumbo. Caseiras com certeza, e muito grosseiras.

Voltei à chamada confissão de Bezani. O investigador riu:

— Ele era um ladrão especializado em pedras preciosas e máquinas de escrever. Seu apelido era Papinho de Anjo, o que significa na gíria “bom de conversa”. Ele já conseguira fugir duas vezes da cadeia. Foi novamente preso e mandado para o presídio na Rua do Hipódromo, em São Paulo, uma penitenciária de segurança máxima. Forjou toda a história na esperança de ser transferido para a cadeia de Niterói. Todos sabem que é facil escapar de Niterói! Mas cometeu um erro quando confessou os assassinatos: colocou os corpos no morro errado! Assim foi mantido no Hipódromo e sabe o que aconteceu? Ele arrumou um jeito de fugir de lá!

Orientado pelos marcos na paisagem que se observava, desenhei um mapa da cena. Conforme posicionava o desenho no rascunho, notei linhas de alta tensão e uma enorme torre de transmissão.

— Isto é uma antena para facilitar as comunicações da policia — fui informado. — Não estava aqui em 1966.

— Vamos repassar o que foi encontrado no local, as circunstancias exatas do evento.

O primeiro homem a avistar os corpos respondeu calmamente às perguntas. Sua história diferia um pouco do que estava publicado nos jornais:

— Uns meninos encontraram os corpos enquanto procuravam suas pipas. Desceram até minha casa e me contaram o fato.
Mandei que fossem procurar a policia.

— Os corpos estavam diretamente sobre o chão? — perguntei.

— Estavam aqui sobre uma cama de folhas.

— E quanto ao cheiro?

— Não, eles não tinham cheiro — insistiu. — E os corpos não foram atacados por bichos.

Apontei para o céu, onde enormes pássaros negros assustadores voavam em círculos.

— E quanto a eles?

— Eles não atacam os cadáveres.

— E quanto à noticia do jornal, de que meninos tinham sido atraídos pelo mau cheiro?

— Não havia cheiro quando cheguei lá.

Iniciamos a longa trilha que descia para a Rua Pinto, onde deixáramos nossos carros . Era uma viagem de volta que Manuel e Miguel jamais fizeram. Mas Saulo acreditava que os homens pretendiam descer de novo. Senão, por que guardariam o recibo de depósito do vasilhame de água mineral? Ele achou muito estranho não crescer vegetação alguma no local, quatorze anos depois do incidente. E não havia explicação para o disco voador avistado.

Hoje meus arquivos com dados sobre OVNI cresceram, a um ponto que mal dá para lidar com eles, lotando quatorze gavetas de um arquivo. Estão organizados por países, e o arquivo do Brasil contém uma série de documentos, que me foram entregues por um médico, o Dr. Olavo Fontes, pouco antes da sua morte por câncer. Ele era um pesquisador altamente qualificado, doutor em medicina.

Quando o dr. Fontes visitou Chicago, em 1967, ele tirou a série de relatórios de casos da mala.

— Quero que fique com isso — disse . Já estaria ciente de que morreria em breve? Entre os documentos que me apresentou estavam relatórios seus sobre o caso das Máscaras de Chumbo e outra aparição de um OVNI na região de Niterói.

O evento ocorrera em 16 de agosto de 1966, às 9h15 da noite, dois meses antes da tragédia . Um objeto luminoso, de forma elíptica, foi visto a uma altitude de trinta metros. A testemunha, de 54 anos, gerente de uma firma de eletronica, técnico industrial formado, desenhou um rascunho de uma série de esferas que chamou de “efervecentes”. Ele as observou em companhia da mulher, da filha e do futuro genro, funcionário do Banco do Brasil. O objeto sobrevoou o Morro da Boa Viagem, em Niterói.

Evidentemente a observação de um enorme objeto ovalado, por parte da sra. Souza, não foi o unico incidente naquela região. Também não é gratuita a relação entre as observações dos objetos e os efeitos físicos e psicológicos inexplicados — incluindo aqueles com trágicas consequencias para as testemunhas. Mesmo assim a literatura sobre OVNIs é reticente em tais casos, porque desafiam os céticos quanto os que acreditam na existencia dos OVNIs.

Chegou a hora de deixar de lado velhas teorias e procurar por novas provas.

Extraido do livro Confrontos de Jacques Vallée – Editora Best-Seller – 1990 “
 

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