8 de julho de 2018

O incidente Dyatlov – Parte 3 – Investigação

A INVESTIGAÇÃO:

Os enigmas entrelaçados que cercam esse caso fantástico, combinados com a juventude e a popularidade das vítimas, levaram os investigadores soviéticos a uma marcha acelerada para a solução do caso.

A primeira coisa que fizeram foi tentar reconstruir a série de eventos que levaram à morte chocante das equipes de esqui de Dyatlov com a ajuda dos diários e rolos de filme descobertos no local.

O principal mistério que os encarava era por que Dyatlov e sua equipe teriam escolhido acampar em uma face de montanha exposta quando um desvio de menos de um quilômetro lhes proporcionaria algum abrigo contra o severo clima da região.

Seria Yudin – o único membro da equipe a sobreviver graças a uma doença oportuna – que lançaria luz sobre essa questão:

“Dyatlov provavelmente não queria perder a distância que eles tinham coberto, ou ele decidiu praticar acampamento na encosta da montanha.”

As fotos desenvolvidas a partir dos rolos de filme encontrados na tenda revelaram que os membros da expedição montaram acampamento no dia 2 de fevereiro, aproximadamente às 17hrs, na encosta de Kholat-Syakhl, a fim de sair do mau tempo. O grupo tinha limpado a linha das árvores e estava a apenas 16 quilômetros do primeiro destino em sua longa jornada, Gora Otorten. Nas fotos, todos pareciam saudáveis ​​e joviais.

Os investigadores chegaram à conclusão de que por volta das 19 horas a equipe comeu uma refeição e não muito tempo depois os membros começaram a se recolher durante a noite. A temperatura na encosta era inferior 15 graus cesius negativos, o que sempre fez com que os investigadores se perguntassem por que tantos esquiadores estavam em estado de nudez.

Os patologistas forenses estimaram posteriormente que os eventos que levaram às mortes prematuras dos esquiadores devem ter ocorrido em algum lugar entre 9h30 e 23h30. Eles basearam essa especulação na comida não digerida encontrada nos estômagos das vítimas. A esta altura, os investigadores militares começaram a juntar esse quebra-cabeça com o melhor de sua capacidade. O que segue é, em sua melhor estimativa, o que ocorreu:

O calendário de uma tragédia.

Os investigadores especularam que, antes da meia-noite de 2 de fevereiro, os esquiadores ficaram assustados com um “evento desconhecido”. Membros da equipe conseguiram cortar ou rasgar o tecido da tenda em uma tentativa frenética de escapar do que poderia estar atacando ou se aproximando. Eles, em sua pressa, irromperam na noite gelada, quase despidos e em estado de puro pânico.

Sendo experientes esquiadores e montanhistas, o grupo devia estar plenamente consciente do fato de que eles não seriam capazes de sobreviver por muito tempo nos desertos frígidos sem proteção. Isso indicou aos investigadores que a equipe devia estar convencida de que estava enfrentando um perigo mortal e optou por fugir para salvar suas vidas.

Os rastros encontrados na neve profunda indicavam que a equipe inicialmente havia se arrastado para fora em todas as direções, mas que eles conseguiram se juntar uns aos outros no declive a cerca de 270 metros de distância da tenda agora triturada. Investigadores então proporam que o grupo então se amontoou em segurança sob o grande pinheiro que Doroshenko e Krivonischenko tentaram tão desesperadamente escalar.

Nesse ponto, os investigadores especularam que foi feita uma tentativa pelos colegas de equipe de dividir a roupa, mas os estados em que muitas das vítimas foram encontradas parecem indicar o contrário. Ainda assim, as evidências sugerem que o grupo, obviamente aterrorizado com a perspectiva de retornar à sua tenda, conseguiu coletar gravetos suficientes para iniciar um incêndio.

Os agentes do caso começam a se perguntar se os esforços de Doroshenko e Krivonischenko para escalar a árvore eram uma tentativa fútil de fuga ou se eles poderiam estar tentando obter um melhor ponto de visão para ver se a sua tenda, que era muito mais alta que o declive onde estava,ainda estava cercada por qualquer ameaça desconhecida que os obrigasse a fugir.

Em algum momento durante a noite os investigadores propuseram que Doroshenko e Krivonischenko provavelmente haviam sucumbido à exposição. Foi então que três membros da equipe – Kolmogorova, Slobodin e Dyatlov – determinaram que era melhor enfrentar bravamente o que aparentemente infestara a tenda do que morrer de hipotermia. Resoluto (e quase certamente aterrorizado) o trio exausto tentou subir a encosta – nenhum deles conseguiria fazê-lo.

Com o seu jovem líder fora de ação, só se pode supor que os membros restantes da equipe, Zolotaryov, Thibeaux-Brignollel, Kolevatov e Dubinina, esperavam o pior. Provavelmente apavorados, os quatro sobreviventes permaneceram se valendo de qualquer coisa que pudessem usar dos cadáveres de seus companheiros … e quase certamente rezaram pela luz do dia.

Temendo que seus amigos estevessem todos mortos, os investigadores concluiram que Zolotaryov, Thibeaux-Brignollel, Kolevatov e Dubinina decidiram se aproximar da floresta na esperança de encontrar algum tipo de abrigo. Em algum lugar ao longo desta jornada e durante uma eventual descida em uma rapina próxima, o restante dos companheiros de equipe sofreriam seus ferimentos internos fatais, embora os investigadores não poderam encontrar uma causa óbvia.

O primeiro a perecer, de acordo com relatórios forenses, foi Thibeaux-Brignollel. Em poucas horas ele foi seguido por Kolevatov e Dubinina. Zolotarev seria o último a perecer  graças a uma combinação de trauma interno e hipotermia. Não ficou claro se a remoção da língua de Dubinina ocorreu post-mortem ou se contribuiu para sua morte.

Quando tudo foi dito e feito, o último sobrevivente morreu menos de oito horas após o evento inicial. Como tudo o mais neste caso, a descoberta dos membros da equipe que faltavam oferecia mais perguntas do que respostas, e a mais importante delas era…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *