4 de agosto de 2018

O Mistério das Trombas

As trombas são as tempestades mais localizadas já bem conhecidas e estudadas, porém o livro Desaparições Misteriosas de Patrice Gaston  nos chama a atenção para relatos curiosos sobre essas manifestações meteorológicas. A sua zona de destruição é muito limitada em comparação com a de um furacão ou de um ciclone . Embora uma tromba só utilize uma parte fraca da energia duma grande tempestade, esta energia é perfeitamente dirigida sobre uma zona bem determinada, que pode ter apenas umas centenas de metros de largura ao longo da sua progressão.

Mas a descrição que o capitão R. Taplin faz de uma tromba , ao largo da costa da Nova Guiné, é bastante eloquente: “A medida que avançava, deslizando a trinta quilometros por hora, víamos a agua esguichar e subir num jato continuo e uniforme até a nuvem. Cerca de duas milhas a noroeste do nosso navio, a tromba apresentou-se de súbito sob uma forma fantástica e extraordinária;
alongou-se  consideravelmente, balançando-se e ondulando como uma serpente. Depois de ter descrito um arco completo  –  um
dos espetáculos mais magnificos que jamais vi durante a minha carreira de homem do mar  –  desapareceu em poucos segundos,
tão completamente como se nunca tivesse existido”.

O movimento da agua em redemoinho sugada atá a nuvem lembra um aspirador gigantesco em funcionamento, manejado por um pescador que apanha assim nas suas redes toneladas de peixes duma vez só . . . A imagem é audaciosa, mas flagrante o seu realismo.

Se formos mais longe , uma manifestação destas poderá acaso estar na origem da estranha precipitação que se verificou na Louisiana , onde, depois duma tempestade, tombou uma chuva de escamas de peixe em numero prodigioso? Foram encontradas escamas em dezoito quilometros ao longo das margens do Mississipi! Uma tromba que pesca milhões de peixes e vai lançar as escamas rejeitadas um pouco mais longe!

Por outro lado, no momento em que a tromba acima referida se apresentou sob um angulo fantástico, depois de se ter alongado consideravelmente , não terá efetuado como que um movimento destinado a evitar o obstáculo representado por um navio que se encontra no seu caminho?  Parece que deve ter-se alongado para melhor o contornar .  .  . Um tromba que, com obstáculo à vista , toma as suas disposições para o evitar e contornar. . .

Claro que, com um bom molho de fantasia , o mais simples fato pode carregar-se de mistério. Mas esta breve analise só se desenvolve a partir de elementos conhecidos e reais. As trombas podem , se o desejarem evitar um obstáculo contornando-o  ou sobrevoando-o . . . Frequentemente, uma curiosa forma de inteligencia parece animar a natureza , e não somos os unicos a pensá-lo.

Segundo teorias bem fundamentadas, a chaminé duma tromba desce duma nuvem, pois duas correntes de ar vindas de direções opostas provocariam o movimento giratório resultante do seu encontro.

Existem trombas que pendem simplesmente do céu, como cordas prestes a agarrar à sua passagem todos os objetos de
interesse. . .

O aviso da aproximação duma tromba possui caracteristicas que não enganam nunca. O céu torna-se francamente escurono setor donde ela vem; nuvens de cores “estranhas”giram rapidamente no céu. Esta coloração vai do negro de tinta ao esverdeado ou púrpura , ou então nota-se uma “estranha palidez”, na maior parte das vezes de mistura com cinzento ou branco-vaporoso. Pela sua violencia e poder de destruição, uma tromba não pode comparar-se a um aguaceiro e a sua força temivel é um dos mistérios da natureza que os sábios ainda não desvendaram.

Mas o que é que desce e sobe na chaminé das trombas?

Na Monthly Weather Review , uma publicação oficial do Gabinete de Meteorologia dos Estados Unidos, encontramos o caso rarissimo duma observação do interior duma tromba feita por Will Keder, um proprietário do Kansas.

“(. . .) Levanto a cabeça e mergulho o olhar em pleno centro da tromba. A abertura hiante da chaminé , que está completamente
vazia , e na qual sobe e desce o que me parece uma “nuvem isolada” , mede entre quinze e trinta metros de diametro e eleva-se a
uma altura  de pelo menos oitocentos metros . As paredes são formadas por nuvens em rotação.”

A tromba avançou para o local onde se encontrava a testemunha, saltou por cima da sua casa , como para evita-la, para ir por fim destruir uma granja mais adiante . . . Acaso? Duvidamos , pois o fato tem-se produzido muitas vezes.

Por outro lado , a aludida “nuvem isolada” é duma consistencia bastante estranha pois as “paredes formadas de nuvens em
rotação” deveria arrasta-la  no seu movimento. A menos que não se trate duma nuvem , mas de qualquer coisa sólida que provoca o redemoinho, subindo e descendo na chaminé . Srá impossivel?

Se pegarmos num pião atravessado por uma haste de metal segundo o seu eixo , para lhe imprimir , por ação de uma mola, movimento de rotação  –  existem brinquedos assim  –  , o ar que o rodeia é arrastado por esse movimento. Se, além disso, o pião projetar vapor branco bastante denso, criará assim uma espécie de turbilhão. Se dirigirmos este pião eletronicamente, como os aviões miniaturas telecomandados, produziremos uma tromba em miniatura. . .

Como as trombas são transparentes, pode distinguir-se no interior da sua chaminé essa coisa estranha que parece ser ou água ou uma mat’ria vaporosa branca ou escura que sobe e desce. Que espécie de aberração fisicaé esta? Nào estamos longe de pensar que este “nucleo sólido“, branco ou escuro , está na verdadeira origem das trombas , produz o seu movimento , imprime-lhe a direção e a velocidade .  .  .

Um aspirador imenso saído do fantástico . . .

O ruido que se ouve quando uma tromba faz a sua aparição é assustador . É geralmente comparado ao rugir duma esquadrilha de aviões a jacto , ou ao fragor de cem comboios a rodarem a toda a velocidade.

Mas o mais curioso é que ainda não tenha sido possivel determinar as causas desse ruido , como, de resto, acontece com o do trovão. Pensa-se apenas que no fenomeno devem intervir velocidades supersonicas , mas provocadas por que?

Uma nuvem que sobe e desce . . .

Mas pondo de parte estes aspectos , uma tromba teria por acaso o poder de fazer desaparecer navios inteiros , com ou sem a sua tripulação?

Frank Lane transcreve uma citação de Hurd: “Um enorme dragão negro desce das nuvens e mergulha a cabeça na agua; a sua
cauda parece ligada ao céu ; e este dragão bebe a água com tanta sofreguidão que engole ao mesmo tempo todos os barcos que
encontra na sua passagem , tripulações e cargas, por muito pesadas que sejam . . .

Nenhuma testemunha nos contou casos destes, que, no entanto , consideramos possiveis . Uma tromba possui um poder de aspiração tal que lhe deve ser fácil um barco de pesca , um naviozimho de madeira, mas de modo algum um quatro-mastros ou um iate, não falando em couraçados.

Os navios podem ser afundados por uma tromba , como sucedeu em 1885 no porto de Tunes, mas ficam sempre destroços , vestigios. De resto , o paquete Aquitaine, que foi atingido em 1933 por um ciclone , não se afundou . . . Parece que a potencia desta tromba chega apenas para engolir na manga de sua chaminé objetos relativamente leves , ou para deslocar veículos de algumas toneladas. . .

Visto que, em principio, uma tromba não possui suficiente poder de aspiração para sugar embarcações de grande tonelagem, deveria ser-lhe possivel raptar um homem , até mesmo vários, e isso confirmaria em parte a hipotese formulada pelos investigadores.

Na realidade , muitas pessoas foram levantadas do solo e depostas mais adiante: sairam dessa aventura sem outros danos que não fossem arranhões ou ferimentos. Algumas vítimas imprudentes tiveram um fim mais triste , mas nenhum desapareceu definitivamente.

Houve o caso , bastante estranho , de homens , cavalos e gado terem sido levantados por trombas, em 1815, durante a erupção do Tamboro. Com efeito, não é raro que certos cataclismas naturais sejam acompanhados do fenomeno de trombas quando, anteriormente, nada deveria supor uma correlação entre eles.

Um professor duma escola rural na Virginia , que vivia numa casa de madeira, conta o seu próprio caso: “Estava no vestibulo quando vi o que me pareceu ser um turbilhão que subia do vale. Tombou sobre a escola . A primeira coisa de que me lembro a
seguir foi encontrar-me com água até aos joelhos, no meio dum charco de vinte e cinco metros , no local onde ficava a escola. . .”

Perguntamos como é que a tromba evitou arrastar consigo aquele homem, quando da escola nada restou? Teria sido “efetuada uma escolha” entre a casa e o homem que a habitava?

Uma tromba que evita um navio e o contorna . . . Uma nuvem “solida”, desafiando as leis  da física, que anima as chaminés da trombas . . . Nuvens de cores estranhas . . . Um fenomeno que escolhe as suas vitimas, rejeita outras, pesca toneladas de peixes, ruge como um esquadrilha de aviões , avalia o peso dos objectos que encontra . . .!

O mais inacreditável reside sem dúvida na observação doutra testemunha , que, normalmente , devia ter sido tragada com o seu navio perante o assalto de uma multidão de trombas . . . As trombas aparecem por vezes em conjunto , no mesmo momento e no mesmo local; podem multiplicar-se até as dezenas.

Mas deixemos Frank Buck contar: “O céu estava dum negro de tinta e, de repente , o navio foi rodeado por trombas. Devia haver
pelo menos uma cinquenta visiveis ao mesmo tempo. A mais próxima, a oitocentos metros , girava e elevava-se a uma altura
inacreditável, e o seu cimo parecia perder-se nas grandes nuvens escuras”   O navio onde ele se encontrava nem sequer foi aflorado por uma delas . . . Que prodigio é este?

No que respeita às trombas , muitas observações fizeram nascer dúvidas no espirito de alguns sábios e amadores quanto à origem da sua formação puramente atmosférica  . . . Finley cita casos de observações de dezenas de trombas com aspecto de “objetos sólidos envolvidos em nuvens”. Refere que, quando, em 1881 , na Georgia , apareceu a “tromba de Americus” , a nuvem emitia um estranho vapor de enxofre . . . O fenomeno é também descrito como “um estranho vapor sulfuroso, ardente e enjoativo para todos os que se aproximaram o suficiente para o aspirar”. . .

Uma tromba pode também tomar a forma duma bola ou duma ampulheta, e foi vista mesmo uma que “unia duas nuvens sem ponto de contato com o mar”. . . A que transferencia fantasticas procederiam elas?

Numerosas testemunhas viram duas massas nebulosas encontrarem-se, uma vinda de sudoeste , outra de nordeste: “Chocaram uma com a outra no meio dum ruido horroroso. como se fossem projetadas por peças de artilharia. Por vezes preciptavam-se no
solo , donde saltavam para o céu como foguetões gigantescos”.

Em outubro de 1972, a poucos quilometros de Grasse , no Var , um agricultor descobriu num pinhal um espaço de cem metros quadrados devastados como se “uma poderosa aspiração tivesse sido feita de cima”, torcendo ou seccionando pinheiros de quarenta centimetros de diametro. . . Isto faz recordar o que aconteceu ao largo de Etreat, no mês de Novembro de 1958: cinco bolas de fogo, seguindo-se com poucos segundos de intervalo , desencadearam uma mini-tromba. Esta relação de causa e efeito é-nos bastante conhecida dessas nuvens de trombas que aparecem como “objetos envolvidos num vapor nevoento“. . .

 

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