21 de dezembro de 2018

A Coroa de Espinhos de Jesus Cristo

 

 

 

A coroa de espinhos de cristo se tornou o segundo maior símbolo, depois da cruz, de adoração do cristianismo. Curioso lembrar que, inicialmente, ela nada mais foi do que um instrumento de zombaria, na verdade, feito por capricho mórbido dos torturadores de Cristo. Sua lenda, e, para muitos, sua história mantem-se firme mesmo depois de século quando foi reencontrada e colocada entre as grandes relíquias cristãs. Ao contrário de outros tesouros sagrados, existe apenas uma peça que é afirmada como sendo a Coroa de Espinhos original, e ela se encontra numa das igrejas mais conhecidas no mundo. Banhada pelo rio Sena,e imortalizada pelas páginas do grande escritor Vitor Hugo, Notre Dame é um dos locais religiosos mais conhecidos no mundo. Visitada todos os dias por pessoas do mundo todo, ela é o local de morada dos fragmentos da Coroa de Jesus Cristo. Até ela chegar lá, percorreu um inacreditável e tortuoso caminho, sendo passada pelas mãos de religiosos, guerreiros e reis.

Veja o vídeo completo AQUI.

O primeiro registro sobre ter existido uma coroa de espinhos realmente, é encontrado nos próprios evangelhos canônicos, onde se refere claramente que uma roa de espinhos foi feita pelos soldados romanos e colocada sobre a cabeça de Jesus, com intuito de juntamente com um cajado e um manto, dar-lhe a aparência de um rei “desmoralizado”. No livro de Mateus está escrito: ‘E quando eles tinham colocado uma coroa de espinhos, eles colocaram sobre a sua cabeça, e uma cana em sua mão direita: e eles se ajoelharam e zombaram dele, dizendo Ave, Rei dos Judeus! ’27:29. A mesma cena é descrita ainda é Marcos(15:17) e João (19: 2, 5); Outros textos antigos como os dos Primeiros Padres, como Orígenes e Clemente de Alexandria, também citam a mesma passagem.

 

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O percurso da Coroa até os dias atuais, começa, como esperado,  na própria Jerusalém. Entretanto, a possibilidade de que os apóstolos e outras pessoas que prepararam o sepultamento de Jesus terem preservado objetos envolvidos na vida do Messias, e em sua morte, não estariam de acordo com os comportamento dos primeiros cristãos que abominariam peças  que pudessem ser envolvidas em idolatria de qualquer espécie. Esse é um ponto onde católicos e protestantes atuais se enfrentam quando o tema de estudo é relíquias sagradas. Por outro lado, era costume da época se colocar objetos utilizados por uma pessoa falecida, em seu sepulcro. Os primeiros registros escritos, além dos já citados evangelhos, são de seis séculos após a morte de Jesus. Mas, São Paulino de Nola, em 409, na Epistle Macarius in Migne , Patrologia Latina , LXI, 407 refere-se aos espinhos e a coroa de Cristo já como relíquias cristãs, citando que ela estava guarda junta ao pilar utilizado durante tortura de Jesus e partes da cruz original. Já Cassiodoro(c. 570), ao comentar sobre o Salmo lxxxvi, cita sobre uma coroa de espinhos entre as outras relíquias que são a glória da Jerusalém terrena. Por suas expressões, ele nos faz crer que o local onde ele escrevia os textos , era também onde havia o tesouro sagrado, pois cita: “Ali”, diz ele, “podemos contemplar a coroa espinhosa, que foi colocada sobre a cabeça do nosso Redentor, a fim de que todos os espinhos do mundo pudessem ser reunidos e quebrados” (Migne, LXX, 621). Outro texto curioso é o de Gregório de Tours em De gloria martyri que descreve características materiaise físicas da peça  quando escreve que os espinhos da coroa ainda pareciam verdes, um frescor que foi milagrosamente renovado a cada dia sugerindo algo que ele realmente tenha visto de perto. Antônio de Placência, no Século VI, registra claramente que a coroa de espinhos estaria guardada num igreja ano Monte Sião, fato que também foi registrado na chamada “Peregrinação” do monge Bernard, que lá encontrou a coroa e levou historiadores a defenderem que uma coroa de espinhos era venerada em Jerusalém desde o século V, permanecendo acima por algumas centenas de anos.

Até esses registros, a coroa parecia estar integra como no dia em que foi confeccionada. Entretando, ela começou a ser feita em pedaços, como registrou François de Mély, que escreveu que, quando transferida para Bizâncio, a coroa não teria ido inteira. Justiniano, por exemplo, teria dado um dos espinhos a Saint Germain, bispo de Paris, que o preservou por muito tempo como objeto de adoração, em Saint-Germain-des-Prés. Já a Imperatriz Irene, entre 798 e 802, teria enviado vários espinhos da coroa para o Rei Carlos Magno, que, por sua vez, os colocou em Aachen. Esses objetos teriam sido consagrados pelo famoso Papa Leão III, e , embora sua presença nessa missa não tenha pleno respaldo na história oficial, a presença de relíquias cristão é devidamente aceita, sendo incluída entre elas a coroa de Cristo. Outros espinhos ainda foram registradas sendo enviados a São Cronélio de Bompiègne, em 877, outro para o Rei dos Saxões Athelstan, em 927, estando na Abadia de Malmesbury, e mais um na Abadia de Andechs, na Alemanha, tendo chega lá em 1200.

Em 1238, o Imperador latino Baldwin II, em Constatinopla, enfrentava dificuldade em manter o império, estando a própria igreja com sua autoridade questionada por poderosos, e cheia de focos de reformas. Precisando de apoio político,  ofereceu a coroa de espinhos a Luís IX, rei da França. Ela se encontrava como penhor de empréstimo contraído com bancos de Veneza no valor de 135.000 libras tournois. Uma quantia considerável para a época, que equivalia à metade das entradas do reino francês em um ano. Porém, é necessário lembrar que quando falamos de Luís IX, estamos falando de São Luís, para os católicos atuais. E ele é sem dúvida , o rei maior rei santo de toda a Europa. Tinha como costume, em seu comportamento de siar para lavar os pés de mendigos e leprosos nas ruas francesas, e para os que argumentem que o fazia demagogicamente, vale citar que ele liderou também duas sangrentas cruzadas, participando ativamente das batalhas. Também foi o que promoveu a reunião e organização do maior número de relíquias sagradas cristãs de qu e se tem noticia.

São Luís, portanto,  assumiu a dívida, dado a condição de que as duas preciosas relíquia que estava na posse de Baldwin II, a saber a Coroa de espinhos de Cristo e a Lança do Destino de Longuinus, ficassem sob a guarda da casa real francesa, em uma negociação que poderia ser comparada a empréstimos atuais envolvendo o FMI e bancos multinacionais. Destaquemos, que para tudo ser acordado, as relíquias envolvidas passaram por todos os testes de autenticidades que a época permitia. Religiosos Dominicanos receberam missão de levar o tesouro sagrada, mas, de tão empolgados em recebe-los, São Luís, a rainha-mãe e outras autoridades foram encontrar a comitiva na cidade de Sens, na Borgonha, que ficava a 125 quilômetros de Paris. No dia 10 de agosto de 1239, o santo monarca, seu irmão o príncipe Roberto I de Artois e o Arcebispo de Sens receberam a Santa Coroa, reconferiram seus registros de autenticidade e entraram em histórico cortejo pelas ruas da cidade de Villeneuve-l’Archevêque, na França.

Continuamente animado, São Luís mandou erguer um local especial para a a Coroa de Cristo. Estamos nos referindo a uma das maiores jóias da arquitetura gótica, A a Sainte Chapelle (Capela Santa), com seus extasiantes vitrais que encantam quem a visita. Para guardar a relíquia com honra e respeito, o rei mandou  cunhar relicários para os tesouros santos que custaram 135 mil libras tournois. Para se ter idéia do qrepresentava esse valor, lembramos que para fazer toda a imponência da igreja onde ficariam as relíquias, a Saint Chapell, custou 35 mil libras tournois. Muitos , entretanto defendem, que par ao rei santo, a própria Sanit Chapelle era um grande relicário a céu aberto.

Entretanto, apesar de tanto capricho que envolveu sua estada em Saint Chapelle, esse não seria o destino final para a Santa Coroa. A relíquia ficou ali até os tempos tortuosos da revolução Francesa, momento no qual foi transferida para a Biblioteca Nacional, voltando para uma igreja somente em 1801, na chamada “Concordata”. Foi então, respeitosamente depositada na Catedral de Notre-Dame, onde se encontra té hoje. Desde 1896 ela está protegida dentro de um tubo de cristal e de ouro. A relíquia é apresentada, aos fiés, a cada primeira sexta feira do mês, às 15h, e na Sexta Feira Santa das 10h às 17h.

 

Estudos modernos reconhecem que o material que constitui os ramos da coroa de espinhos de Notre-Dame, são compatíveis a região de Jerusalem. Os feixes são compostos de uma placa catalogada como balticus Juncus juncos. Já os espinhos encontrados em vários relicários europeus, são de Ziziphus spina-christi(nome modificado em homenagem a relação) e , aparentemente, foram removidos e feixes dessa planta que estariam na coroa. Os ramos tortos de Ziziphus, também chamado de “árvore da Jujuba” estão armados com espinhos que crescem em pares, uma coluna reta e uma curva que ocorrem comumente em cada ponto. O que lva a crer que , para evitar que os ramos espinhosos se separassem, os romanos os misturaram em feixes com o Juncus, dando mais firmeza a coroa de espinhos.

 

Para se ter uma idéia de como os séculos separaram partes da relíquia citamos a lista dada pela “Gazetteer of Relics and Miraculous Images”:

  • Bélgica: Igreja Paroquial de Wevelgem : uma parte da coroa de espinhos (desde 1561) [8]
  • Bélgica: Ghent , Igreja de São Miguel: um espinho da coroa de espinhos
  • República Checa: Praga , Catedral de São Vito : Um espinho da coroa de espinhos, na cruz no topo da coroa de São Venceslau , parte das jóias da coroa da Boêmia
  • França: Notre Dame de Paris : O círculo de juncos da coroa de espinhos, exibido na primeira sexta-feira de cada mês e todas as sextas-feiras na Quaresma (incluindo a sexta-feira santa)
  • França: Sainte-Chapelle : Uma parte da coroa de espinhos, trazida para o local por Luís IX.
  • Alemanha: Catedral de Trier : Um espinho da coroa de espinhos
  • Alemanha: Colônia , Kolumba (Museu) : Um espinho da coroa de espinhos, dado por Luís IX. aos dominicanos de Lüttich e um segundo espinho do tesouro da Igreja de St. Kolumbas
  • Alemanha: Elchingen : Igreja da antiga abadia beneditina Kloster Elchingen : um espinho trazido à igreja em 1650/51 [9]
  • Itália: Roma , Santa Croce in Gerusalemme : Dois espinhos da coroa de espinhos.
  • Itália: Roma , Santa Prassede : uma pequena porção da coroa de espinhos
  • Itália: Pisa , Spedali Riuniti de Santa Chiara: um ramo com espinhos da coroa de espinhos
  • Itália: Nápoles , Santa Maria Incoronata : um fragmento da coroa de espinhos
  • Itália: Ariano Irpino , Catedral: Dois espinhos da coroa de espinhos
  • Espanha: Oviedo , Catedral: Cinco espinhos (anteriormente oito) da coroa de espinhos
  • Espanha: Barcelona , Catedral: Um espinho da coroa de espinhos
  • Espanha: Sevilha , Iglesia da Anunciação (Hermandad del Valle): Um espinho da coroa de espinhos
  • Reino Unido: Museu Britânico: Relicário do Espinho Sagrado (veja acima), Relicário Salgado, cada um com um espinho
  • Reino Unido: Abadia de Stanbrook , Worcester : Um espinho da coroa de espinhos
  • Reino Unido: Stonyhurst College , Lancashire : Um espinho da coroa de espinhos
  • Estados Unidos da América: Capela de Santo Antônio , Pittsburgh: Um espinho da coroa de espinhos
  • Ucrânia: Odessa , Mosteiro de São Profeta Elias: um fragmento de um espinho da coroa de espinhos

 

Conclusão:

Apesar  dos quatro séculos de pobres registros históricos iniciais, a Coroa Santa possui notáveis indícios de sua autenticidade, ou compatibilidade com a originalmente contado nos evangelhos. A fé sempre presente nos chamados tesouros sagrados, mostra seu poder de maneira mágica e envolvente, chegando a transformar um bizarro instrumento de tortura e zombaria numa das mais belas e cultuadas relíquias sagradas.

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