8 de março de 2019

A mulher da capa preta – Caso encerrado

 O fim de um mistério

Na  cidade de Maceió, capital do Estado de Alagoas existe uma clássica estória de aparição que, com o passar dos anos, passou a ser mais cultuada do que temida pela população local.  As provas da veracidade dos antigos relatos estariam no  túmulo de uma jovem situado no Cemitério Nossa Senhora da Piedade, no bairro do Prado. Logo ao entrar, seguindo o muro a esquerda, a meio caminho, o visitante perceberá um curioso e bonito tumulo antigo. Em suas alegorias, será fácil notar uma cruz muito bem feita, encoberta por uma espécie de manto negro, ou capa, feito  em mármore caído sobre a cruz, como que acabado de ser, melancolicamente, posto.

A lenda sobrevive e descreve fatos que teriam ocorrido no inicio do século XX, quando um jovem rapaz, durante um baile, conheceu e, prontamente, se apaixonou por uma moça que também se encontrava ali na festa. Conversaram, trocaram sorrisos a noite toda, parecendo ser um início de uma história de amor para uma vida inteira. Ou além.  Entretanto, com o passar das horas, chegando próximo à meia-noite, a moça disse ao rapaz que queria ir embora. Como estava chovendo, o cavalheiresco enamorado disse que a acompanharia até sua casa, oferecendo sua capa para protegê-la da chuva. Seguindo pelas ruas ainda trocando algumas conversas, a moça, a certa altura parou de caminhar, parando a frente do cemitério, dizendo que o rapaz só poderia seguir a mesma até aquele ponto. Disse, entretanto seu endereço, para que o rapaz fosse buscar a capa no outro dia. Nada estranhando, o jovem foi, então, ao local  referenciado pela moça, com mais vontade de reencontra-la do que, realmente, reaver sua capa.  Chegando à residência, a família, para seu espanto, disse que não existia ninguém ali com esse nome, mas, que , coincidentemente, era o primeiro nome de uma das filhas que já havia falecido anos antes. Ele descreveu a jovem que conhecera para os presentes, e os mesmos afirmaram que também seria a descrição da jovem que já morrera. O rapaz chegou a pensar que estava sendo vítima de algum tipo de golpe ou brincadeira, até que um dos parentes se prontificou a leva-lo até o cemitério. Chegando lá, ele não apenas se deparou com o túmulo, mas, com sua capa, que havia sido emprestada a jovem, colocada sobre a cruz da lápide. Uma réplica foi colocada no local, em desejo e respeito à paz e descanso eterno na alma da moça. Assim termina a narrativa.

Aberto a visitação, como na maioria dos cemitérios públicos, o tumulo está lá para quem quiser ver de perto. Para os mais sensíveis, não precisa nem entrar no cemitério, pois a cruz e o manto de mármore podem ser visto já da calçada. Segundo os funcionários, ônibus de passeio com turistas chegam a parar em frente ao muro, onde de dentro dos ônibus muitas pessoas fotografam o local.

Ha, entretanto, outras versões. Uma afirma que tudo ocorreu já na década de setenta, outras chegam a confirmar que a jovem teria falecido por volta de pouco mais da quinta década de vida, mas, retornaria em forma fantasmagórica com aparência jovem. Talvez pelo  fato do túmulo conter datas que levem a conclusão da duração de vida de cinquenta e poucos anos de ali foi sepultado. Quem defende essa corrente da estória, complementa que a mulher morreu, sem nunca ter se casado, pois teria tido tuberculose, e voltaria em forma de espírito para viver um grande amor.

Porém, se utilizando de poucos dados contidos no túmulo e reportagens e relatos achados na internet, em vários sites, é possível se concluir algo muito curioso. A estória de uma mulher fantasma usando uma capa preta esta presente em muitas cidades brasileiras. Em Cuiabá, podemos encontrar a mesma estória que teria se passado em um cemitério de mesmo nome, “Nossa Senhora da Piedade”. Curioso, não? Mas, voltando ao mistério maceioense, claramente, está registrado no tumulo o nome “Carolina de Sampaio Marques, nascida em 21 de março de 1869 e falecida em 22 de novembro de 1921”. Outro fato interessante é que do lado está enterrado um homem, e os dois locais de descanso são protegidos por um singelo cercadinho igualmente antigo.

Na mesma pesquisa rápida já citada, procuramos saber quem foi a mulher, cujo nome completo estaria gravado no tumulo com a capa preta. Pois bem, Dona Carolina, foi esposa do Dr. Sampaio Marques, que foi médico, escritor, professor e político em Alagoas. Sim! Ela foi casada. Eles eram primos e se casaram em 1894. Na biografia do médico, a data de nascimento  A senhora Carolina nasceu, inclusive, na cidade de  São Miguel dos Campos, sendo filha do coronel João Correia Sampaio. Impressiona o fato de como uma lenda pode ser encontrada em diferentes cidades muito distantes umas das outras, mas, falemos um pouco de ética. Alguém pode achar a estória divertida, mas, não dever ser muito confortável ter um parente, como uma avó, transformada em assombração pela sociedade. O culto a lenda da mulher da capa preta chegou a produzir até mesmo, um bloco carnavalesco, que chegou desfilar  durante alguns anos, até ocorrer um acidente com múltiplas vitimas que encerrou, aparentemente, suas atividades.

Não precisa comentar que o fato foi relacionado à “maldição” da mulher da capa preta, não é mesmo? E quanto à capa de mármore, que pode ser vista na lapide até hoje? A nosso ver, trata-se de apenas uma reprodução do manto sagrado de Jesus cristo, colocado por esposo enlutado, tentando homenagear sua amada esposa falecida. Em outros túmulos igualmente antigos, não somente no Brasil, mas, em outras partes da Europa e Estados Unidos, é possível encontrar outros mantos de pedra com o mesmo simbolismo. Apesar de considerarmos um mistério resolvido, entendemos que a lenda não desaparecerá da noite para o dia e com esse nosso estudo. Mas, caso se tenha vontade de visitar o local onde descansa a Dona Carolina, que o faça a partir de agora com respeito e ética não somente a ela e a seu esposo, mas, também aos seus familiares que tiveram e tem que conviver com a lenda da mulher da capa preta.

Para muitos mais detalhes, assista ao vídeo AQUI.

 

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