10 de setembro de 2019

Considerações sobre o estudo do psiquismo extraterrestre: uma introdução à exopsicopatologia.

Por Cain Wolf

A cada dia, os cientistas descobrem novos mundos, os chamados exoplanetas, em nosso céu estelado.  Entre esses astros, muito deles, já se sabe possuir chance altíssima de abrigar vida semelhante a nossa, nos levando a reflexões acerca de nossos vizinhos e de como eles seriam.  Quando mencionamos a  “forma de ser”, estamos nos referindo  a tudo o que deriva da maneira de como as mentes desses seres criaram suas civilizações, suas relações e sua maneira de compreender o universo. A nós, seus  ansiosos  expectadores, resta apenas imagina-los.  E nosso único referencial de ser pensante é nós mesmos, com nossos defeitos, anseios e virtudes. A mente humana ainda se vê solitária em sua viagem na existência. Quando ousamos  cogitar estudar a mente alienígena, antever seu comportamento e interpretação de sua própria existência, o fazemos, sem nenhuma alternativa secundária, a partir da nossa mente humana. Daí também virá o que dela deriva e a enriquece, como por exemplo, a percepção, a memória, os conceitos de tempo, de autoconsciência e,  até mesmo, de linguagem. Há, entretanto, também partes do psiquismo que derivam da evolução da forma de vida e de sua classificação biológica. Por exemplo, sabemos que aves e mamíferos tem uma instintiva preservação de sua prole, a defendendo, muitas vezes, com a própria vida. Se a vida alienígena, por questões evolutivas, se desenvolveu pensante, mas, a partir de seres com caracteristicas semelhantes as que nos leva a classificar nossas aves e mamíferos, tais indivíduos podem ter essa mesma ordem instintiva, que vai derivar para outras ideias de preservação, e, porque não, de “amor” além do paternal, que irá alicerçar a sua sociedade, sua cultura e até mesmo o deus que eles venham a crer. Agora vejamos os nossos répteis, ainda nos referindo a formação de uma mente e seu psiquismo apenas no tocante a influência da carga biológica. Imaginários répteis pensantes, criadores de uma longa civilização, e de poderosas frotas espaciais, teriam em sua história primitiva a ausência da necessidade instintiva da preservação da prole, ou seja, não conheceriam o “amor de mãe”, e seria pouco provável que eles cressem em um deus de amor que amaria seus filhos, pregando, por sua vez, o amor entre os povos das estrelas. Tal psiquismo teria em seu produto final ideias éticas e religiosas muito diferentes das nossas, mamíferos primatas pensadores. Mas, e se considerássemos os fatores não evolutivos biológicos? No desafio sobre criarmos ciências e termos ainda não usados como “Exopsiquiatria”, “exopsicopatologia” e “exopsicologia”, iríamos, mais uma vez, utilizar nosso modo bem humano, que facilmente, nos convidaria a fazer uso  do método de isolar as funções psíquicas de qualquer mente do cosmo, de maneira  meramente didática, para assim, termos condições de estudá-la por uma abordagem teórica. Assim também fizeram nossos psicopatologistas clássicos como Jaspers, Kraepelin e Nobre de Melo. Imaginando essa abordagem, podemos, por exemplo, pontuar um estudo da linguagem como ponto de partida. A construção de uma linguagem alienígena também teria em sua formação aspectos relacionados a natureza e a idade da civilização estudada. Estudos mais modernos defendem que quanto mais antiga uma linguagem, mais simples era será. Mas, um infinito de perguntas poderia surgir nesses estudos. Por exemplo, existirá mentes inteligentes nascidas em outros planetas que teriam pensamento e não teriam linguagem? Ou existiria uma regra universal que determinasse que a linguagem falada ou não fosse um componente impossível de não coexistir em mentes com raciocínio lógico. Resumindo, poderíamos parafrasear: “Penso, logo falo”?

Por outro  ângulo de estudo, quando mencionamos a questão lógica, imediatamente nos vemos obrigados a assumir que nossa expectativa à respeito  de uma mente com séculos de evolução a frente da nossa (pelo menos em nossa ficção cientifica) seria sempre dotada de muita inteligencia e pouca emotividade, estando presente em seres frios, desprovidos de emoções as quais sempre são consideradas primitivas demais. Entretanto, na prática, isso não poderia não ter muito significado. Até onde sabemos, as emoções tem sua complexidade funcional no resultado final do psiquismo sendo tão importante que caberia, sim, ser aprovada no cruel júri da seleção natural, podendo, dessa forma, ser encontrada em cérebros de seres inteligentes muito evoluídos, a serem encontrados no cosmo. Esses são alguns pontos que a nova ciência da exopsiquiatria teria que estudar e estruturar para  começar a sonhar em como “consertar”. Sim! As mentes alienígenas poderiam também, entre todas as suas particularidades estruturais, apresentarem suas patologias. Objetivar encontrar doenças mentais em outras mentes inteligentes seria, mais uma vez, seguir o mesmo método de aprendizado que usamos para compreender nosso cérebro e comportamento. O problema do referencial continua. A neurociência tem frases que sempre irão persegui-la, tais como a de Isaac Newton ao falar:” O que sabemos é uma gota; o que ignoramos é um oceano. Mas o que seria o oceano se não infinitas gotas?”. Ao mesmo que  coloca os neurocientistas modernos diante de uma imensa ignorância, a citação vem valorizar o que já se descobriu sobre a mente humana. O outro aspecto desafiador é o que está contido na expressão do escritor noruegues  Jotstein Gaarder: “Se nosso cérebro fosse tão simples a ponto de entendê-lo, seríamos tão simples que não o entenderíamos”. Merece destaque que o que é dito nessa expressão serviria para qualquer mente inteligente do cosmo. Não parece ser esperado que ocorresse de uma  mente chegar a se compreender completamente, pois sempre ao atingir um novo patamar evolutivo de córtex, por exemplo, sempre utilizaria conscientemente, apenas uma parte desse psiquismo. Por outro lado, uma mente bem mais evoluida poderia compreender uma mais primitiva, nos levando a partir dessa dedução à novas infinitas interrogações de aplicabilidade desse conceito.

Quando tentamos manter toda a discussão anterior dentro das exigências da ciência, nos ocorre a primeira grande cobrança para que possamos evoluir no tema: metodologia de pesquisa. Em outras palavras, o que temos até agora que podemos utilizar como base para subir novos níveis ciêntifícose como poderíamos replicar com outros pesquisadores nossas conquistas. Um curioso ponto de pardida, poderia ser a possibilidade de considerarmos que, pelo menos nos planetas onde a vida se baseou nos mesmos elementos para eclodir como a fez em nosso mundo, nos poderíamos encontrar também seres vivos que se encaixassem em nossas atuais classificações, podendo então, se encontrar em outros sistemas solares novos répteis, aves, mamíferos, insetos, semelhantes,mesmo que extraterrestres. A partir dessa consideração, já que não encontramos tais seres ainda, poderiamos criar simuladores de espécies pensantes baseadas nas que conhecemos, conjecturando como seriam seus intelectos se tivessem evoluído em nosso lugar, ou se isso teria acontecido em condições a serem ainda encontradas ou já conhecidas em alguns exoplanetas já catalogados.Tão método já está acontecendo em nossos dias, sendo um exemplo de sua aplicação um estudo feito com polvos, na Universidade de Lethbridge, em Alberta, Canadá, pela especialista em psicologia comparada Jenifer Mather. Em seu estudo de 35 anos, ela tenta endender mais profundamente a evolução da inteligência como a conhecemos. A escolha pelos cefalópodes foi justificada pelo seu sistema nervoso particular desse animal, constituído por um conjunto de gânglios emparelhados, formando um aglomerado de células nervosas, que controlaria múltiplas funções, como um cérebro centralizador.

Polvos também têm personalidade forte, garante Jennifer Mather, especialista em psicologia comparada da University of Lethbridge, em Alberta, Canadá. Mather estuda o comportamento de polvos há 35 anos tentando entender melhor a evolução da inteligência. Utilizando o mesmo método que aplicado para estudar especificidades da personalidade humana. Durante o experimento,perguntou-se, simplesmente, o que os animais fazem normalmente durante o dia em diferentes situações e observou-se as respostas. Colocaram os polvos em três situações comuns: alerta (abrindo a parte superior do tanque), ameaça (tocando o animal com o cabo de uma escova longa) e alimentação (oferecendo um caranguejo como refeição). Verificou-se que havia três dimensões que denominaram: ação, reação e cautela. A ação avaliou atividade e passividade, a reação indicou o estado de calma ou agressividade e a cautela revelou o grau de timidez dos animais. Se observou que os polvos podem apresentar qualquer combinação dessas características.Outra caracteristica específica dos moluscos é que duas áreas do seu cérebro se especializaram em aramazenamento de memórias. Eles teriam, por sua vez, áreas dedicadas a apredizagem, sendo esse um aspecto muito semelhante ao dos humanos. Se comparado com outros invertebrados, o cérebro de um polvo é muito grande. Mas, ao ser posto ao lado de cérebros de vertebrados, será sempre considerado muito pequeno. Sendo, entretanto, muito espalhado pelo corpo do animal, os conjuntos de neurônios, dão a esses animais o controle total e minucioso de suas ventosas, promovendo habilidade ímpares ao animal. Lembremos que  uma das grandes conquistas do corpo humano foi o sistema de pinça  que ocorre entre os dedos indicador e o polegar. O polvo consegue manipular suas ventosas, isoladamente, criando centenas de sistemas  de pressão  igualmente eficientes. Entre as comparações já feitas entre polvos e humanos, somente no quesito comportamento, há defensores que argumentarão que cefalópodes podem ser considerados “planejadores”, “brincalhões”, “mestres dos disfarces”, etc. Utilizando todo esse conhecimento sobre esses curiosos animais no nosso problema de método de estudo teórico de mentes alienígenas, podemos encontrar outro estudo que reforçaria tudo o que defendemos até agora. Estamos nos referindo a um  novo estudo publicado no periódico científico Progress in Biophysics and Molecular Biology, que envolveu mais de trinta pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, estando nesse time o criticado astrônomo Chandra Wickramasinghe, defensor da panspermia, teoria que sugere que a vida em nosso planeta se desenvolveu a partir de micróbios e bactérias extraterrrestres que teriam chegado ao nosso mundo em meteoros. O estudo, entre outras argumentações  e questionamentos, destaca a inexplicável explosão de vida na Terra que ocorreu durante o período Cambriano, a chamada ”explosão cambriana”, evento ocorrido há 500 milhões de anos, e que, para a ciência oficial, marcou o surgimento de vida grandemente diversificada em nosso planeta. Para os defensores da teoria, foi nesse momento planetário que ocorreu uma chegada de micróbios alienígenas em meteoros e meteoritos, tornando possivel o surgimento de novas formas de vida, entre eles os cefalópodes, mais especificamente, os polvos. Para tal afirmação, os pesquisadores se baseiam em alguns pontos, sendo o genoma desses animais e seu impressionante nível de complexidade uma das evidências mais consideráveis, além do que já se sabe sobre o cérebro e olhos do animal. Claro que para os críticos da teoria da panspermia, as macro e microcomplexidades encontradas  na natureza não justificariam a origem extraterrestre, mas, para nosso estudo teórico sobre as prováveis inteligências de outros mundos do universo e do desenvolvimento de seu psiquismo pode ser um instrumento de partida. Poderíamos, com auxilio de softwares especificos, simular o desenvovimento neuronal  de alguns milhões de anos em cefalópodes, considerando a possibilidade da natureza em algum lugar ter criado condições para se desenvolver uma civilização dos parentes dos polvos que assistiram alguns indivíduos de sua espécie serem lançados ao espaço em pedaços de rocha, chegando depois a cair e habitar nosso mundo. Poderíamos simular, na verdade, um desenvolvimento evolutivo em qualquer espécie conhecida, até que seu cérebro alcançasse não apenas o raciocinio, a inteligência, mas também, a maior de todas as conquistas psiquicas, ou  a mais cruel das maldições: a autoconsciência.

Para que nossa provocação com o tema possa ser considerada completa, talvez teríamos que ir até além da ciência. Lembramos que somente a exopsicopatologia e exopsicologia já seriam ciências que envolveriam sociologia, cultura, antro(?)pologia e espiritualidade. Nas fronteiras dessa última, os argumentos biológicos e organicistas se diluem, é verdade. Mas, nos convida a pensar, se o que chamamos de civilizações avançadíssimas do cosmo envolveria um conceito de plena evolução física, mental e espiritual.

 

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