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sexta-feira, junho 21, 2024

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Ufologia e a atual crise da verdade

9 de dezembro de 2023

Ufologia e a atual crise da verdade

Cain Wolf

Houve, realmente, um tempo em que homens olhavam o céu e se afogavam na curiosidade de entender  o que aparecia entre as estrelas, e nem o maior dos cientistas conseguia explicar. Surgiram luzes entre os pilotos nos combates aéreos da segunda guerra mundial. Veio Roswell e os grandes casos. Os governos mundiais se calaram, tentarem ridicularizar o que os ditos homens simples que olhavam o céu falavam. Eis entre nós rumores de projetos secretos. Assim nasceu, verdadeiramente, a ufologia moderna. Nessa época heroica, quase ninguem queria receber  o titulo de “ufólogo”. O cara maluco que falava de disco voador e marcianos. O fascínio pelo tema, por sua vez, não deixou a sociedade. Sempre que algo se destacava, prontamente se procurava o lunático ufólogo para dar suas explicações. Tinha-se entrevistas, fotos, vídeos. Tudo material, entretanto, não oficializava, nem desmoralizava a ufologia.  A coisa não parou, e a chamada “pseudociência ufológica” foi crescendo em mídia, surgindo respeitáveis documentários e congressos por todo o mundo. Veio, então a internet, trazendo uma esperança de ser para qualquer tipo de pesquisa, um rápido e eficaz canal de divulgação e troca de material entre os estudiosos dos discos voadores. 

Quanta inocência…

Hoje, as redes sociais mostram o quanto a grande massa da população deseja a informação rasa, podendo ela ser oriunda de qualquer pessoa ou fonte. Outrora, se esperou que os sites provocassem que as pessoas abandonassem os livros. Agora, os mesmos sites já não são lidos ou procurados, ficando a atenção voltada para canais de vídeos  curtos. Sim! Qualquer curso de youtuber que se preze terá que ensinar que os vídeos produzidos para o sucesso terão que ser curtíssimos! Que deve dizer o principal conteúdo que deseja nos primeiros 3 segundos. Ah!  E não se esquecer de fazer uma imagem em miniatura com o apresentador com os olhos bem arregalados.

Ainda restaria um motivo de perdão para o modelo acima descrito. O bom conteúdo. Outra decepção. Raros são os textos originais. A destacada infinidade de fontes e vídeos falam exatamente o mesmo roteiro. Palavra por palavra. Um “copie e cole” infinito de imagem e som. Não há de sequer se encontrar uma opinião pessoal do  que foi falado. 

Mas, não pára por ai. Parece que a ambição de ser o mais visto, tornou-se mais importante do que o que ser o que mais comunica ou produz algum conhecimento. Poucos ufólogos do passado continuam mantendo a linha séria, conseguindo isso seguindo a estatégica, talvez inconsciente de se manter estudando da maneira mais isolada possível.  Um exemplo de um desses resistentes é o ufólogo Marco Petit, que continua firme defendendo suas convicções, quer você concorde com suas ideias  ou não. Outros tantos, escolheram se tornar estrelas de podcast. Estão em todos os que se possa encontrar, falando sobre coisas que estejam mais focadas  no que o público e o entrevistador concorde, se divirta e não se irrite.

Impossível não se comentar que o cenário o qual me refiro, não está limitado somente ao Brasil. Nos grandes canais que chegam a explorar o tema, como o History Channel, a coisa piorou há muitos anos. Séries que até possuíam e possuem temas seríssimos foram se autodepreciando em noveletas de suspense, com sustos, enrolações e apelos somente para manter seus episódios até o infinito e além. Importante também deixar claro que, o mal não reside em confundir pesquisa e fantasia. Fora da ciência e seu necessário rigor de método, o fantástico e a mente humana tem total liberdade. O que não se pode é vir se autoproclamar um herói de um tema que, visivelmente, você não acredita. Por vezes, tais personagens são tão incompetentes em seus argumentos e apresentações(ou interpretações) que terminam por serem julgados pelos defensores de teorias de conspiração como agentes infiltrados para gerar contra informação e desmoralizar ou tirar os temas ufológicos da célula de temas sérios da sociedade moderna.

Mas, voltemos nosso coração para nomes como o já citado Marcus Petit, agora em um incrível trabalho acompanhando as missões marcianas, Jackson Luis Camargo, jovem e sério ufólogo brasileiro com o estupendo estudo documentado no livro “UFOS no espaço”, Luiz Thiago Tichetti, com obras de aspecto descritivo e olhar técnico. Sem deixar de citar analistas de altissimo padrão, como Tony Inajá e personagens ilustres e olhar descarteniano como Ubirajara Rodrigues. Evoquemos nossa Comissão Brasileira de Ufólogos. Mesmo que seja preciso se tornar algum tipo de “sociedade secreta”, velada a, agora chamada, ufologia de rede social. Salvem tudo o que já foi feito!

Essa prece vem ser escrita, cabivelmente, no dia em que se completa um ano da morte do maior ufólogo de todos os tempos, o brasileiro Ademar Gevaerd. Os efeitos de sua partida estão claros nesses últimos meses. Acertando e errando, unindo alguns e separando outros, parece que Gevaerd era um guardião, uma espécie de xerife que, de alguma forma, inibia os lobos de ousar se apossar tanto da ufologia nacional e MUNDIAL. O amigo deixou sua obra incompleta. Lógico, já que nunca parava de conquistar novas vitórias para o estudo do fenômeno UFO. Acreditava que estava à beira de assistir um contato oficial entre os povos do espaço e o planeta Terra e sua estranha e distraída sociedade. Partiu deixando uma certeza: não deixou ninguém que gostasse de ufologia sem o conhecer, influenciando TODOS os ufólogos vivos de seu tempo.

Resta esperança? Bem, temos ainda homens sérios na ufologia. Estes já enfrentaram inimigos muito fortes. Mas, nunca tão cruéis e indignos como os maus ufólogos de podcast. Há órgãos brasileiros e mundiais de pesquisa ufológica que precisam acordar para esse cenário. Caso continuem como estão, restará ainda a novíssima inteligência artificial, para ao menos, parafrasear sempre e sempre o mesmo conteúdo internet afora.

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